Inflação: o que isso tem a ver com você?
Com certeza você já ouviu falar de inflação, fenômeno que atingiu o auge no Brasil nos anos 80. Naquela época, chegamos a ter índices superiores a 50% ao mês por vários anos. Em vão, técnicos e políticos trabalhavam para controlá-la. Os preços não paravam de subir e os produtos desapareciam das prateleiras dos mercados. Teve até presidente da República ordenando à Polícia Federal e à Força Aérea que procurassem por bois nos pastos, pensando que os pecuaristas os escondiam para se aproveitar da lei da oferta e da procura, com o intuito de elevar os preços.
Na prática, os bois estavam longe dos pastos. Estavam na cidade, guardados em geladeiras e freezers. Aliás, nunca se vendeu tanto deste último produto quanto naqueles dias. Conheci várias casas com mais de um freezer, havia modelos verticais e horizontais. Além disso, as casas eram construídas com despensas, para estocar os bois e tudo o que fosse possível, especialmente alimentos. Recebíamos algum dinheiro e logo corríamos para o mercado para trocá-lo por alguma coisa. Isso só alimentava o processo.
Hoje, voltamos a nos deparar com a inflação. O mundo começou a se preocupar com o aumento generalizado de preços, notadamente o dos alimentos. Isso se deve, principalmente, a quebras de safras e aumento da demanda, a velha lei citada acima. Assim, você que paga as contas do supermercado certamente já observou que está gastando mais para levar para casa a mesma quantidade de produtos. Se mais astuto, já reduziu a quantidade de itens ou trocou para marcas mais baratas para pagar menos.
E agora, o que fazer? Comprar um freezer e construir uma despensa para estocar mantimentos? Nada disso. A hora é de comprar menos e não alimentar o círculo vicioso da inflação. A hora é de calma, para esfriar o consumo e permitir que o mercado se equilibre. Ao estocar várias unidades de um determinado item, colaboramos para a ampliação da procura, o que implica aumento de preço, caso não haja a expansão necessária de produção para equilibrar a oferta.
Assim, colabore para manter a inflação baixa. Esqueça os estoques, compre apenas o que for necessário e para uso imediato. Dê preferência ao que está sendo vendido à vista e está barato e faça do supermercado das redondezas a sua despensa. Você não quer ter mercadorias em casa com dinheiro faltando no banco – mesmo porque os produtos no armário não se multiplicam. Ao passo que dinheiro no banco, sim.
Fazendo isso você irá cooperar com o processo de controle inflacionário e dar a sua contribuição para o Brasil e o mundo. Afinal, a inflação é uma doença crônica que toda nação teme. Portanto, como diz o provérbio, “é melhor prevenir que remediar”.
