Casa Própria – Alugar ou financiar?
Essa é uma das perguntas mais recorrentes que me fazem. Alugar, respondo rápido. Entretanto, como a maioria das pessoas não concorda, entabula-se animada discussão que, normalmente, encerra-se quando apresento números.
Algumas pessoas querem ter uma casa para satisfazer alguma necessidade emocional, como segurança. É a certeza de ter um teto. Outras querem demonstrar status e receber a admiração da família ou dos amigos. Há ainda quem queira satisfazer a necessidade de pertencimento, listando-se no grupo dos moradores do bairro A ou B. Esses, normalmente, alegam que “aluguel é dinheiro jogado fora”.
Para satisfazer essas necessidades, compram a casa à vista, perdendo parcelas significativas de rendimento dos seus recursos ao tirá-los do mercado financeiro. Outros financiam a compra da casa própria, mas arcam com juros excessivos e comprometem boa parte do orçamento. Como o prazo desse tipo de financiamento é muito longo, torna-se difícil prever como serão a renda, as taxas de juros e a inflação no futuro, o que aumenta o risco de inadimplência a longo prazo.
Existem pessoas que pensam o contrário. A casa é necessária – serve de moradia – mas ser dono não é fundamental. Essas pessoas, normalmente, são seguras de si. Não precisam de demonstrações externas de status e pertencimento. Elas consideram que “comprar imóvel é jogar dinheiro fora”.
Sim, em muitos casos isso é verdade. Imagine um apartamento de R$ 450 mil cujo aluguel vale R$ 1,8 mil. Com o valor do imóvel aplicado na simples caderneta de poupança – com taxa de juros média de 0,5748% ao mês – ela poderá render R$ 2,586 mil, dinheiro mais que suficiente para pagar o aluguel e ainda reinvestir o restante. A diferença de R$ 786 por mês investida na mesma caderneta de poupança dará ao seu detentor, em vinte anos (tempo médio de um financiamento imobiliário), a quantia aproximada de R$ 400 mil. Imagine o que poderá ser conseguido no caso de uma aplicação mais rentável. Considerando que o tempo em questão é longo e que, nesse prazo, minimizam-se os riscos do mercado acionário, pode-se projetar um resultado médio de 1% ao mês. Durante o período em questão, poder-se-á chegar a mais de R$ 770 mil.
Outras vantagens em ser inquilino são não pagar taxas condominiais extras e ter liberdade para mudar o dia que quiser. Imagine um vizinho inconveniente morando ao seu lado ou no andar de cima. Imagine a empresa que você trabalha se transferindo para o outro lado da cidade. Que tal administrar melhor o seu tempo e dar mais qualidade à sua vida? Mude seu endereço.
Precisamos trocar o conceito de segurança financeira pelo da liberdade financeira. Essa não é conseguida por meio da aquisição de bens, e sim da portabilidade ou liquidez de seus ativos. Afinal, como diz um amigo meu, “não dá para vender o banheirinho da empregada para trocar de carro”. Pense nisso.


Já desisti de ter essa conversa com meus amigos. Agora já ando com panfletos da Prosperare por perto. Quem sabe você tem mais sorte que eu?
Essa conta ainda é válida para a nova regra de taxação para cadernetas de poupança acima de R50.000,00?
A mesma regra também vale para possuir ou não carro. Eu não tenho mais carro. Ando de taxi ou transporte público. Fiz umas contas por alto: Meu carro popular quitado em 24 meses (R$36.000,00) me causou um gasto de R$60.000,00 contando (mecanico, combustível, ipva, seguros, etc). Seria R$ 2500,00 por mes. Gasto hoje R$300 reais com transporte publico. Só que as vezes isso é muito inconveniente.
Hoje pagamos caro por conforto. Muitas vezes desnecessários. A casa própria também da esse conforto, essa sensação de ter algo, status.
Não foi considerado no texto outros fatores, como a valorização do imóvel e onde obter rendimentos de 1% ao mês (acima da inflação). Ainda, não considerou a demanda de oferta e procura dos imóveis, ou seja, que pode ocorrer falta de imóveis e o aluguel disparar, bem como seu valor.
Concordo que a maioria compra por emoções.
Não defendo ter imóvel próprio, apesar de ter, mas também não podemos desconsiderar que comprar um imóvel com possibilidade de valorização é investimento interessante. Que diga o McDonalds.
Outro exemplo, quem preferiu comprar imóveis no Guará ou Águas Claras há 3 anos no preço médio o metro quadrado a R$ 1500 a R$ 2000, hoje está podendo vender entre R$ 4 mil a R$ 5000. Isto em 3 anos, acho que não fizeram mal negócios. Ainda, não sofreu com a crise na bolsas de valores e nem na renda fixa.
Em 2010, no final do governo Lula, com a influência do minha casa minha vida e para as classes C e D, a coisa não funciona muito bem assim.
Essa classe, normalmente não investe dinheiro e sim mão de obra, serviço braçal e mal tem dinheiro pra arcar com as despesas domésticas. Comprar um patrimônio financiado a 4% ao ano mais subsídio de até 17mil reais é um baita de um negócio! Em 20 anos, os juros não chegam ao que a poupança dá, ou seja, 6% ao ano mais TR e, lembrando que, a poupança é o custo de oportunidade mais baixo no Brasil.
Deixar patrimônio para os filhos é importante para essa classe e, convenhamos, a maioria não tem o conhecimento suficiente para ver a importância de ter disciplina de guardar o dinheiro todo mês.
Não existem e não existirão taxas de IR na poupança.
Para as classes A e B (renda superior a R$4.500,00 por mês), recomendo imóveis para investimento apenas, a casa própria deve ser alugada. Assim como o carro de luxo, a casa de praia, a casa de campo e etc. Não compensa comprar esses tipos de ‘ativos’.