Profissionais Liberais – Os ganhos variáveis e a falta de tempo

Foto: Sanja Gjenero
Sabe-se que a maioria da população brasileira está com dificuldade de gerir o orçamento mensal para chegar ao fim do mês com o saldo bancário positivo. Essa dificuldade pouco tem a ver com o valor do salário e sim com a forma como o dinheiro é utilizado. Um bom orçamento começa com a definição exata da renda, o que é extremamente fácil para os assalariados, que sabem exatamente o que irão receber no próximo mês. Entretanto, para empresários, profissionais liberais e autônomos – como é o caso de muitos advogados – essa definição freqüentemente é difícil. Isso ocorre em virtude da irregularidade dos ganhos, da freqüente mistura das finanças profissionais com as pessoais e do tempo destinado à administração financeira.
Para resolver a questão, sugere-se, antes de tudo, separar as finanças do escritório ou da empresa de toda e qualquer ação financeira pessoal dos gestores. É importante que o gestor em questão receba uma renda regular, como se o fosse um “empregado” do seu próprio negócio. Entretanto, nesse caso aparecerá o problema dos ganhos instáveis, que poderá ser resolvido com uma estratégia simples envolvendo dois passos.
Primeiro, levantar-se-á o lucro líquido médio mensal (receitas – despesas) do empreendimento em um determinado período passado, preferencialmente um ano, que será o salário a ser pago ao responsável. Nesse momento iniciará, automaticamente, a separação entre as finanças empresariais e as pessoais dos profissionais envolvidos.
Em seguida, abrir-se-á um fundo – líquido e sem volatilidade, ou seja, de resgate imediato e sem o sobe e desce das bolsas de valores – para receber os recursos mensais que haverão de ser superiores ao lucro líquido médio. Este complementará os recursos mensais pagos aos responsáveis nos meses em que o lucro líquido médio não for atingido, funcionando como uma reserva regulatória. Se bem administrada, essa reserva produzirá mais recursos para o empreendimento por meio do recebimento dos juros.
Mas não é só isso. Muitos profissionais imaginam que quanto mais clientes tiverem e quanto mais trabalharem, maiores serão seus ganhos. Isso está correto em parte. Os ganhos provêm do trabalho, do cuidado com o cliente e também do cuidado com o planejamento e a execução dos orçamentos profissionais e pessoais separadamente.
Para gastar bem, antes de tudo é necessário planejar o que vai ser feito com a próxima renda, listar as receitas e despesas e fechar o orçamento com saldo positivo, próximo a zero. Ou seja, dar um destino a cada centavo a receber, prevendo as despesas futuras, as mensais e as do dia-a-dia – antes da chegada efetiva dos honorários ou do salário.
Para isso é necessário que um mínimo de 10% do tempo dedicado aos clientes seja utilizado para gerir o dinheiro recebido, montando orçamentos eficientes, acompanhando sua execução e aumentando o conhecimento financeiro para investir bem os recursos da reserva regulatória e os recursos pessoais destinados aos gastos futuros – principalmente.
Assim, haverá mais tempo para melhorar a qualidade de vida, o contato com a família e os amigos e, melhor ainda, poderá escolher uma data a partir da qual trabalhará só por prazer, tendo a vida que merece, pois haverá um funcionário assíduo e incansável trabalhando permanentemente para garantir tudo isto, o dinheiro.
